🇨🇭Suíça - Como escolher o passe ideal, comparar preços e viajar com mais liberdade | Guia completo


Os passes de trem da Suíça existem para facilitar a viagem e, muitas vezes, também para economizar dinheiro. Em vez de comprar cada trecho separadamente, você pode adquirir um passe que oferece viagens ilimitadas, descontos ou acesso a regiões específicas. O melhor passe, porém, não é o mais caro nem o mais famoso: é aquele que faz sentido para o seu roteiro. Tudo depende de quantos dias você vai ficar, quais cidades pretende visitar, quantas montanhas quer conhecer e do seu estilo de viagem.


Ao longo deste artigo, vou explicar as principais opções disponíveis, mostrar as vantagens e desvantagens de cada uma e, principalmente, ensinar como escolher o passe que realmente vale a pena para a sua viagem. Afinal, na Suíça não existe uma resposta única: existe a opção mais inteligente para cada roteiro.

Antes de falar de cada passe, existe uma dica que pode fazer uma grande diferença no seu planejamento: não escolha o passe porque alguém disse que ele é o melhor. Escolha porque ele faz sentido para a viagem que você quer fazer.

Na maioria das vezes, principalmente para quem vai à Suíça pela primeira vez, eu recomendo fazer o caminho tradicional: primeiro decidir quais lugares você sonha em conhecer — normalmente aqueles que viu no Instagram, YouTube, blogs ou TikTok — e só depois escolher o passe que melhor atende esse roteiro.
Mas existe um segundo jeito de viajar, que foi exatamente o que eu vivi na minha última viagem.

Monte Titlis (Engelberg), Zermatt e Grindelwald

Eu estava em uma fase completamente diferente. Já tinha conhecido muitas das cidades e atrações mais famosas
e queria descobrir lugares novos, menos turísticos, aqueles que quase não aparecem nas redes sociais. Então fiz o contrário: comprei primeiro um passe das montanhas (o Magic Pass) e, a partir dele, comecei a pesquisar tudo o que estava incluído. Foi assim que conheci lugares que provavelmente nunca teriam aparecido no meu roteiro se eu tivesse seguido apenas as recomendações mais populares.

Na prática, eu montava meus dias de acordo com o que estava incluso no passe. Como também tinha um passe de trem ilimitado (GA MENSAL), bastava escolher uma cidade-base, entrar no trem e explorar sem ficar fazendo contas a cada deslocamento ou teleférico.

Hoje, depois de já ter viajado das duas formas, posso dizer que as duas experiências foram incríveis. E, sinceramente? Para mim é um legítimo "tanto faz". 😂

Se você está indo pela primeira vez, provavelmente faz mais sentido definir primeiro o roteiro e depois escolher os passes. Mas se já conhece a Suíça ou quer viver uma viagem mais livre, comprar um passe e deixar que ele te apresente novos destinos também pode ser uma experiência fantástica.


Quais são os principais passes de trem da Suíça?

Se você começou a pesquisar sobre transporte na Suíça, provavelmente já percebeu que existem vários passes diferentes. À primeira vista, pode até parecer confuso, mas a lógica é bem simples: cada um foi criado para um tipo de viagem.

Alguns são válidos em praticamente todo o país, enquanto outros funcionam apenas em determinadas regiões. Além dos trens, a maioria dos passes também incluem ônibus, barcos, funiculares, 
trens de montanha e até alguns teleféricos.

Os principais passes são:

·    Swiss Travel Pass – oferece viagens ilimitadas por grande parte da rede de transporte público da Suíça, incluindo trens, ônibus, barcos e alguns transportes de montanha.

·    Swiss Travel Pass Flex – possui os mesmos benefícios do Swiss Travel Pass, mas permite utilizar os dias de viagem de forma flexível, dentro de um período de 30 dias.

·    Swiss Half Fare Card – garante aproximadamente 50% de desconto na maioria dos trens, ônibus, barcos e em grande parte dos transportes de montanha. É válido por um mês.

·    Saver Day Pass – passe de um dia com viagens ilimitadas na rede de transporte público suíça. Quanto maior a antecedência da compra, menor costuma ser o preço.

·     Berner Oberland Pass – passe regional para explorar o Oberland Bernês, incluindo diversos trens, ônibus, barcos e transportes de montanha.

·    Jungfrau Travel Pass – ideal para quem pretende explorar a região de Interlaken, Grindelwald, Lauterbrunnen, Wengen e Mürren, utilizando os principais meios de transporte da região.

·    Lucerne Travel Pass (antigo Tell-Pass) – passe regional que cobre Lucerna e a Suíça Central, incluindo trens, ônibus, barcos e diversos transportes de montanha.

·    Graubünden Pass – indicado para explorar o cantão de Grisões utilizando a rede regional de transporte público.

Apesar de todos envolverem viagens de trem, eles funcionam de maneiras diferentes. Alguns oferecem transporte ilimitado por todo o país, outros são válidos apenas em determinadas regiões e alguns concedem apenas descontos. Ao longo deste artigo, vou explicar como funciona cada um deles e mostrar em quais situações realmente vale a pena investir em cada passe.

Comparação rápida dos principais passes



Abra a imagem para ler melhor.


Swiss Travel Pass

O Swiss Travel Pass é provavelmente o passe de transporte mais conhecido entre os turistas que visitam a Suíça. Com ele, você pode viajar de forma ilimitada por grande parte da rede de transporte público do país durante 3, 4, 6, 8 ou 15 dias consecutivos.

Quando eu digo “viagens ilimitadas”, não estou falando apenas de trem. O passe também inclui muitos ônibus, barcos e transportes públicos dentro das cidades, além de alguns trajetos de montanha. Em determinadas montanhas, o transporte está totalmente incluído; em outras, o passe oferece descontos.

Barco, teleférico, trem...

Essa é uma das partes que mais confundem quem está planejando a viagem. Ter o Swiss Travel Pass não significa que todas as montanhas da Suíça serão gratuitas. Algumas estão incluídas, outras oferecem desconto e algumas atrações precisam ser pagas praticamente à parte. Por isso, é muito importante conferir a cobertura de cada passeio antes de montar o orçamento.

Os trens panorâmicos também costumam estar incluídos, como acontece com o Glacier Express e o Bernina Express. Porém, em alguns deles, o trajeto está coberto pelo passe, mas a reserva de assento continua sendo obrigatória e paga separadamente.

Na minha experiência, a maior vantagem do Swiss Travel Pass não é apenas uma possível economia. É a liberdade que ele proporciona.

Quando você está na Suíça, o clima pode mudar completamente os seus planos. Você pode acordar querendo subir uma montanha, olhar a previsão e perceber que o tempo está fechado. Com um passe ilimitado, fica muito mais fácil simplesmente mudar o roteiro e ir para outra cidade, fazer um passeio de barco ou escolher uma região onde o clima esteja melhor.

Você não precisa ficar pensando quanto custará cada mudança, comprando uma passagem nova ou se perguntando se está “gastando demais” naquele dia. Eu gosto muito dessa sensação de poder entrar no trem e decidir o roteiro com mais liberdade.

Também existe a praticidade. Durante os dias em que o passe está válido, você não precisa comprar uma passagem para cada trem incluído. Basta estar com o passe válido e apresentá-lo quando houver fiscalização. Para quem fará muitos deslocamentos, isso deixa a viagem muito mais simples.

Castelo de Chillon (100% incluído) 

Outro benefício é a entrada gratuita em centenas de museus, castelos e atrações culturais participantes. Nem todo mundo compra o passe pensando nisso, mas pode ser uma vantagem interessante, principalmente nos dias de chuva ou quando você pretende visitar várias cidades históricas.

Apesar de todas essas facilidades, eu não diria que o Swiss Travel Pass é automaticamente a opção mais econômica para todas as viagens. Ele costuma fazer mais sentido para quem pretende circular bastante pelo país, fazer trajetos longos e utilizar o transporte público em vários dias seguidos.

Se a pessoa ficar muitos dias na mesma cidade, fizer poucos deslocamentos ou concentrar a viagem em uma única região, talvez outro passe seja mais vantajoso.

Por isso, eu não escolheria o Swiss Travel Pass apenas porque ele é o mais famoso. Primeiro, analisaria o roteiro, os trajetos, as montanhas e a quantidade de dias em que o transporte realmente será utilizado.

Tabela com os preços do Swiss Travel Pass em 2026

Dias

Valores informados no material-base para 2026. Confira o site oficial antes da compra.
 

Swiss Travel Pass Flex

O Swiss Travel Pass Flex funciona de maneira muito parecida com o Swiss Travel Pass tradicional. A principal diferença é que os dias de utilização não precisam ser consecutivos.
Você pode comprar a versão de 3, 4, 6, 8 ou 15 dias e utilizar esses dias dentro do período de um mês.


Foi justamente essa a versão que eu escolhi em uma das minhas viagens: o
 Swiss Travel Pass Flex de 15 dias.

No meu caso, ele fez sentido porque eu ficaria bastante tempo na Suíça e não precisava usar um passe ilimitado todos os dias. Em alguns momentos, eu passava o dia em uma cidade, descansava, fazia um passeio mais próximo ou não tinha nenhum deslocamento caro planejado.

Então, em vez de gastar um dia do passe nessas situações, eu conseguia ativá-lo apenas quando realmente faria uma viagem mais longa ou um roteiro com vários transportes.

Por exemplo, você pode usar um dia do passe para sair de uma região e viajar até outra parte da Suíça. Depois, pode ficar dois ou três dias naquele destino sem ativá-lo novamente. Quando chegar o próximo dia de deslocamento caro, você utiliza mais um dia. Para uma viagem longa, essa liberdade pode ser muito útil.

Ao mesmo tempo, o Flex exige um pouco mais de organização. Você precisa pensar em quais dias realmente vale a pena ativá-lo. Não faz muito sentido gastar um dia do passe para fazer apenas um trajeto curto e barato, caso você possa guardar esse dia para uma viagem mais cara.

Na minha experiência, eu gostava de olhar o roteiro e separar os dias com os maiores deslocamentos e várias atrações/montanhas. Eram esses os dias em que o Flex realmente mostrava vantagem.

Nos dias ativados, você pode utilizar os trens, ônibus, barcos e transportes urbanos incluídos, além de aproveitar os descontos em montanhas e os outros benefícios do passe. Nos dias não ativados, ele não funciona como um passe comum, então você precisa comprar os seus transportes separadamente.

Essa é uma informação importante: o Swiss Travel Pass Flex não fica oferecendo os benefícios durante todo o mês. Eles são válidos nos dias que você escolhe utilizar. 

Isso já aconteceu comigo. Minha família iria de carro até Kandersteg para fazer a trilha perto do Oeschinensee. Como não usaríamos trem naquele dia, eu precisava decidir se valia a pena ativar o Swiss Travel Pass apenas para conseguir desconto no teleférico.

Sem ativar o passe, eu pagaria CHF 22,50 pelo bilhete.
Já ativar um dia do Swiss Travel Pass Flex representava um custo médio de CHF 34,60.

Portanto, naquele dia, era mais barato comprar o bilhete separadamente do que ativar o passe.

Por isso, eu deixava para usar o Swiss Travel Pass Flex apenas nos dias em que faria muitos deslocamentos ou usaria atrações suficientes para superar o custo daquele dia.

Minha meta era usar pelo menos uns CHF 70 em transportes e atrações.

Por isso, eu guardava os dias do passe para roteiros mais completos, em que usaria trem, barco, teleférico e até entrada em museus no mesmo dia. Assim, o passe realmente compensava.A maior vantagem é não desperdiçar dias do passe quando o seu roteiro está mais parado. A desvantagem é que o Flex normalmente custa mais do que a versão consecutiva. (Mas não é muito, em 2026 é CHF 20 francos de diferença).

Por isso, eu acredito que ele funciona melhor para quem fará uma viagem mais longa, ficará vários dias em cada região ou terá apenas alguns dias com deslocamentos realmente caros.

Já para uma viagem mais curta e intensa, em que a pessoa pretende pegar trem praticamente todos os dias, eu provavelmente escolheria o Swiss Travel Pass tradicional. Nesse caso, ele é mais simples de usar e pode sair mais barato.

Tabela com os preços do Swiss Travel Pass Flex em 2026

Dias flexíveis


Valores informados no material-base para 2026. Confira o site oficial antes da compra.
 

Qual é a diferença entre o Swiss Travel Pass e o Swiss Travel Pass Flex?

A diferença principal é muito simples:
·       No Swiss Travel Pass, os dias de utilização são consecutivos.
·       No Swiss Travel Pass Flex, você escolhe os dias de utilização dentro do período de um mês.

Eu resumiria assim: o Swiss Travel Pass tradicional combina mais com uma viagem curta e intensa, enquanto o Flex pode funcionar melhor em uma viagem longa e com dias de deslocamento mais espaçados.

No meu caso, o Flex foi útil porque eu não precisava viajar longas distâncias todos os dias. Eu conseguia guardar os dias do passe para os roteiros mais caros e pagar separadamente quando o deslocamento era pequeno.

Mas isso depende completamente da viagem. O Flex não é necessariamente melhor apenas porque oferece mais liberdade. Dependendo do roteiro, você pode pagar mais por uma flexibilidade que nem será utilizada.

É justamente por isso que, antes de escolher entre os dois, eu compararia o preço, a duração da viagem e os dias em que você realmente pretende fazer grandes deslocamentos.
 
 

Swiss Half Fare Card

Apesar do nome, o Swiss Half Fare Card não funciona como um passe de transporte ilimitado.

Com ele, você continua comprando cada passagem separadamente, mas paga aproximadamente metade do valor em grande parte dos trens, ônibus, barcos e transportes de montanha da Suíça. O cartão é válido por um mês e foi criado especialmente para turistas que não moram no país.

Na prática, ele funciona assim: você compra o Swiss Half Fare Card e, depois, sempre que precisar de um transporte, compra a passagem com a tarifa reduzida. Ou seja, diferente do Swiss Travel Pass, ele não permite simplesmente entrar nos trens incluídos sem comprar um bilhete antes.

Eu nunca utilizei o Swiss Half Fare Card, então não consigo contar uma experiência pessoal com ele. Mesmo assim, considero importante incluí-lo nesta comparação porque, dependendo do roteiro, ele pode ser uma das opções mais econômicas.

Ele costuma fazer sentido para quem não pretende viajar longas distâncias todos os dias, ficará vários dias na mesma cidade ou quer pagar apenas pelos transportes que realmente utilizar. Também pode ser interessante para quem pretende subir montanhas caras, já que muitas delas oferecem desconto para quem possui o cartão.

Mas existe um detalhe importante: o desconto nem sempre é exatamente de 50%.

Em muitos trajetos, você realmente paga metade da tarifa normal. Em outros, principalmente em alguns transportes de montanha e atrações específicas, o desconto pode ser menor ou seguir regras próprias. Por isso, é sempre importante verificar a cobertura de cada passeio antes de fazer as contas.

Na minha opinião, o Swiss Half Fare Card exige mais planejamento do que um passe ilimitado. Como você ainda precisa comprar todas as passagens, é necessário simular os trajetos do roteiro e somar os valores com desconto para entender se realmente compensa.

A vantagem é que você não paga por dias de transporte que talvez não utilize. A desvantagem é perder um pouco daquela liberdade de simplesmente entrar no trem e mudar o roteiro sem pensar no preço de cada deslocamento.

Por isso, eu não escolheria o Swiss Half Fare Card apenas porque ele parece mais barato no momento da compra. Eu compararia o valor do cartão com o total estimado das passagens, dos barcos e das montanhas que fazem parte do roteiro.

Em algumas viagens, ele pode gerar uma ótima economia. Em outras, depois de somar todas as passagens com desconto, um Swiss Travel Pass ou um passe regional pode acabar fazendo mais sentido.
 

Tabela com o preço do Swiss Half Fare Card em 2026

Produto

Valores informados no material-base para 2026. Confira o site oficial antes da compra.
 
 


Saver Day Pass

O Saver Day Pass é um passe válido por um único dia, que permite viajar de forma ilimitada por grande parte da rede de transporte público da Suíça. Durante esse dia, você pode utilizar os trens, ônibus, barcos e demais trajetos incluídos na área de validade do passe.

Diferente do Swiss Travel Pass, ele não é vendido para uma sequência de dias. Você compra o Saver Day Pass para uma data específica, e o valor pode variar bastante conforme a antecedência, a disponibilidade e o tipo de tarifa.

Em geral, quanto antes você compra, maior é a chance de encontrar um preço melhor. Os passes mais baratos podem aparecer com vários meses de antecedência e, conforme a data se aproxima, os valores tendem a aumentar.

Eu, particularmente, não sou muito fã do Saver Day Pass.
O principal motivo é que, para conseguir os melhores preços, muitas vezes você precisa comprar com cinco ou seis meses de antecedência. E isso, na Suíça, pode ser um problema, porque grande parte dos passeios depende completamente do clima.

Você pode comprar o passe para um dia específico imaginando que fará uma montanha, um lago ou algum passeio ao ar livre e, quando a data chegar, estar caindo um temporal. 

Como o Saver Day Pass está vinculado àquele dia, você acaba ficando presa à programação ou precisa mudar o passeio sem conseguir aproveitar aquilo que realmente tinha planejado.

Por isso, na minha opinião, ele funciona melhor quando existe um deslocamento que precisa acontecer naquela data de qualquer maneira. 

Por exemplo: você sabe que naquele dia irá de Lucerna até Zermatt, trocará de cidade, seguirá para o aeroporto ou fará alguma programação indoor que não depende tanto do clima. Nesses casos, pode ser uma ótima alternativa.

Já para escolher com muitos meses de antecedência o dia exato em que você pretende subir uma montanha, eu acho arriscado.

Também é importante não criar a expectativa de que o Saver Day Pass sempre terá um desconto enorme. Os melhores preços costumam aparecer com bastante antecedência. Quando você começa a procurar duas ou três semanas antes, ou até um mês antes da viagem, a economia pode não ser tão grande.

Às vezes, o valor encontrado um mês antes pode ser muito parecido com o preço disponível no próprio dia. Por isso, não existe uma regra fixa de que comprar algumas semanas antes sempre será muito mais barato.

Uma forma de entender como os preços funcionam é entrar no site ou no aplicativo da SBB e pesquisar várias datas. 

Você pode observar quanto o Saver Day Pass está custando para os próximos dias, para o mês seguinte e para datas mais distantes. Assim, consegue ter uma noção real da diferença e decidir se vale a pena comprar antecipadamente.

O Saver Day Pass também começa a ficar mais interessante para quem possui o Swiss Half Fare Card, porque existe uma tarifa reduzida para quem tem o cartão. Dependendo da data e do preço disponível, essa combinação pode transformar um deslocamento longo em uma opção bastante econômica.

Ainda assim, eu não montaria uma viagem inteira dependendo de vários Saver Day Passes comprados com meses de antecedência. Para mim, isso tira justamente uma das coisas que considero mais importantes em uma viagem pela Suíça: a liberdade de adaptar o roteiro de acordo com o clima.

Eu utilizaria esse passe apenas em dias muito específicos, quando o deslocamento já estivesse definido e não pudesse ser transferido para outra data.

Tabela com os preços do Saver Day Pass em 2026
 

Berner Oberland Pass

Berner Oberland Pass é um passe regional criado para quem pretende explorar o Oberland Bernês, uma das regiões mais turísticas e bonitas da Suíça.

É nessa área que ficam lugares como Interlaken, Lauterbrunnen, Grindelwald, Wengen, Mürren, Brienz, Thun, Kandersteg e diversas das montanhas mais procuradas do país.

Diferente do Swiss Travel Pass, que possui cobertura nacional, o Berner Oberland Pass é voltado para uma região específica. Em compensação, dentro da sua área de validade ele inclui não apenas trens, ônibus e barcos, mas também diversos funiculares, teleféricos e trens de montanha que, normalmente, representam uma parte significativa dos gastos da viagem quando comprados separadamente.

Eu nunca utilizei o Berner Oberland Pass, então não consigo contar como foi a experiência de viajar com ele na prática. Mesmo assim, depois de analisar toda a cobertura e comparar os transportes incluídos, considero esse um dos passes que valem a pena pra região quase na maior parte do tempo.

Para mim, o principal diferencial está justamente nas montanhas. Enquanto o Swiss Travel Pass oferece desconto em muitas atrações, o Berner Oberland Pass inclui diversas delas sem custo adicional. Como esses passeios costumam representar uma das maiores despesas de uma viagem pela Suíça, essa diferença pode fazer bastante diferença no orçamento final, caso a montanha incluída seja a que você quer visitar.

Por isso, se eu fosse passar vários dias explorando o Oberland Bernês, provavelmente colocaria esse passe entre as principais opções. Principalmente se o roteiro incluísse diferentes montanhas, passeios de barco e deslocamentos frequentes entre cidades e vilarejos da região.

Uma estratégia que também considero muito interessante é combinar diferentes passes. Por exemplo, utilizar o Berner Oberland Pass durante os dias concentrados no Oberland Bernês e, depois, iniciar um Swiss Travel Pass para conhecer o restante da Suíça.

Eu nunca utilizei essa combinação, então não estou falando com base em uma experiência pessoal, mas é uma possibilidade que eu certamente analisaria dependendo do roteiro.

Acesse aqui o mapa completo com todas as atrações/trens em 2026.
Neste mapa, você pode ver em detalhes onde o Berner Oberland Pass será válido para viagens gratuitas ou com desconto a partir de 1º de janeiro de 2026.:
 

Um detalhe que muita gente não percebe é que a área de validade vai além das atrações do Oberland Bernês.

O passe também é válido, por exemplo:

  • entre Interlaken e Lucerna pela rota via Brünig;
  • entre Berna e Lucerna pela rota via Entlebuch (RE7);
  • em todos os trens entre Berna e o Oberland Bernês, independentemente de serem IC, IR, RE ou Regionais.

Por outro lado, ele não é válido na rota entre Berna e Lucerna via Zofingen, nem inclui passeios de barco no Lago Lucerna ou a subida ao Monte Pilatus.

Também existe uma limitação importante para quem chega pela Itália: o trecho entre Milão e Brig não está incluído. A cobertura começa apenas a partir de Brig, seguindo em direção ao Oberland Bernês.

Imagine, por exemplo, que você ficará quatro dias hospedado em Interlaken explorando Lauterbrunnen, Grindelwald, Oeschinensee, Harder Kulm e outras atrações.

Depois seguirá viagem para Lucerna, Zurique, Montreux ou Zermatt. Dependendo do roteiro, pode fazer mais sentido utilizar primeiro um passe regional e depois um passe nacional.

Mas existe um detalhe que sempre vale conferir: como você chegará ao início da área de cobertura do passe e como fará a saída da região.

Dependendo da cidade onde você iniciar a viagem e da rota escolhida, alguns trechos já estarão incluídos, enquanto outros exigirão a compra de uma passagem separada.

Por exemplo, quem chega de Milão precisa comprar a passagem até Brig, pois a cobertura começa somente dali.

Já quem vem de Lucerna ou Berna pode utilizar determinadas rotas que já fazem parte da cobertura do passe, conforme o mapa oficial.

Por isso, antes de decidir, eu faria a conta completa. Não compare apenas o valor do Berner Oberland Pass com o do Swiss Travel Pass. Considere também quais deslocamentos já estarão incluídos no seu roteiro e quais precisarão ser pagos separadamente.

Em alguns casos, um Saver Day Pass pode ser uma ótima alternativa para complementar a viagem. Como normalmente as datas de chegada e saída já estão definidas, ele pode reduzir bastante o custo dos deslocamentos que não fazem parte da cobertura do Berner Oberland Pass.

Dependendo do roteiro, ainda assim o Berner Oberland Pass pode compensar bastante pela quantidade de montanhas incluídas. Em outros casos, um Swiss Travel Pass ou uma combinação entre diferentes passes pode oferecer um melhor custo-benefício.

Não esqueça do Guest Card

Antes de comprar qualquer passe, vale a pena verificar se a sua hospedagem oferece algum benefício para hóspedes.

Muitos hotéis, pousadas e apartamentos turísticos do Oberland Bernês disponibilizam um Guest Card. Dependendo da cidade, ele pode incluir ônibus locais gratuitos, alguns trajetos de trem e descontos em teleféricos, montanhas e atrações.

A cobertura varia bastante de uma cidade para outra.

Minha dica é simples: assim que reservar sua hospedagem, consulte o site oficial do destino ou pergunte diretamente ao hotel quais benefícios estão incluídos, quando o cartão é entregue e se ele já pode ser utilizado no dia da chegada.

Ele dificilmente substituirá um passe como o Berner Oberland Pass, mas pode reduzir bastante os gastos locais e até influenciar na escolha do passe mais vantajoso.

Na minha opinião, o Berner Oberland Pass faz muito sentido para quem realmente pretende explorar o Oberland Bernês durante vários dias. Se o objetivo for apenas fazer um bate-volta até Interlaken ou Lauterbrunnen, provavelmente existem alternativas mais econômicas.

Agora, se o seu roteiro inclui diversas montanhas, passeios de barco, diferentes vilarejos e vários deslocamentos dentro da região, eu certamente colocaria esse passe entre as principais opções antes de tomar uma decisão.


Esse FAQ oficial é muito interessante, muitas perguntas/respostas boas de ler: Clique aqui para ver.

Tabela com os preços do Berner Oberland Pass em 2026

 
Jungfrau Travel Pass

O Jungfrau Travel Pass é outro passe regional bastante conhecido, mas muita gente acaba confundindo ele com o Berner Oberland Pass.

Apesar de ambos serem voltados para a região de Interlaken, Lauterbrunnen e Grindelwald, eles não são a mesma coisa.

Enquanto o Berner Oberland Pass possui uma área de cobertura maior e inclui diversas cidades, barcos e montanhas do Oberland Bernês, o Jungfrau Travel Pass foi criado principalmente para quem quer explorar a região da Jungfrau.


Na prática, ele cobre boa parte dos deslocamentos entre Interlaken, Grindelwald, Lauterbrunnen, Wengen, Mürren e Brienz, além de incluir diversos teleféricos, trens e funiculares que dão acesso às principais atrações da região.
Entre elas estão:
  • O que está incluído no Jungfrau Travel Pass

    Durante o período de validade, o passe permite viagens ilimitadas em diferentes meios de transporte da região, incluindo trens, barcos, teleféricos, funiculares e ferrovias de montanha.

    Trens e transporte local

    • Interlaken Ost–Lauterbrunnen
    • Interlaken Ost–Grindelwald
    • Interlaken Ost–Brienz
    • Ônibus urbanos de Grindelwald, com exceção das linhas que seguem para vilarejos alpinos

    Barcos

    • Lago de Thun, com acesso a destinos como Spiez e Thun
    • Lago de Brienz, passando por lugares como Giessbach, Iseltwald e Brienz

    Montanhas e teleféricos

    • Grindelwald First (primeiro teleférico, o restante tem 50% de desconto)
    • Männlichen, incluindo Grindelwald Terminal–Männlichen e Wengen–Männlichen
    • Kleine Scheidegg, com acesso por Wengen, Lauterbrunnen ou Grindelwald Grund
    • Eiger Express
    • Schynige Platte
    • Harder Kulm
    • Mürren, pelo trecho Lauterbrunnen–Grütschalp e, depois, Grütschalp–Mürren

    Assim, o passe pode ser especialmente interessante para quem pretende circular bastante pela região e combinar deslocamentos entre vilarejos, lagos e montanhas.


Ou seja, ele vai muito além dos trens. Se você pretende passar vários dias explorando essa região e fazer diferentes passeios de montanha, o passe pode representar uma boa economia.

Eu nunca utilizei o Jungfrau Travel Pass, mas já pesquisei bastante sobre ele quando estava montando alguns roteiros pela região.

Na minha opinião, ele faz sentido para um perfil de viajante bem específico: quem pretende passar praticamente todos os os dias explorando Grindelwald, Lauterbrunnen, Wengen e Mürren, aproveitando as montanhas incluídas no passe.
Se esse for o seu caso, ele pode ser uma excelente opção.

Por outro lado, se você pretende conhecer uma área maior do Oberland Bernês, incluindo lugares como Kandersteg, Oeschinensee, Adelboden ou Spiez, eu faria uma comparação muito cuidadosa com o Berner Oberland Pass antes de tomar qualquer decisão.

Isso porque, dependendo do roteiro, o Berner Oberland Pass oferece uma cobertura muito maior por uma diferença de preço que, às vezes, nem é tão grande.


O Jungfraujoch está incluído?

Essa talvez seja a maior dúvida de quem pesquisa sobre esse passe.
A resposta é: não completamente.

O Jungfrau Travel Pass leva você até Eigergletscher, mas o último trecho até o Jungfraujoch (Top of Europe) exige a compra de um bilhete complementar.

Muita gente compra o passe imaginando que toda a subida estará incluída e acaba descobrindo que não é bem assim apenas quando chega à região. Por isso, é importante considerar esse custo adicional no planejamento.

Eu já subi até Eigergletscher e, naquele dia, paguei o valor integral, pois não estava com o Swiss Travel Pass ativado nem possuía outro passe que oferecesse desconto.

O passeio é bonito, tem neve e vistas incríveis, mas pode frustrar quem acredita que chegará ao topo ou que terá exatamente a mesma experiência do Jungfraujoch.

Eu amei o passeio, principalmente porque estava com a minha irmã. No entanto, como havia bastante neve acumulada no chão — e ainda era novembro —, não conseguimos caminhar muito pela região do Eiger. Mesmo assim, foi um passeio muito bonito e que guardo com carinho.

Por isso, acho importante entender bem a diferença: Eigergletscher já proporciona uma verdadeira experiência de montanha, mas não é o Jungfraujoch. Se o seu sonho é conhecer o Top of Europe, lembre-se de incluir esse trecho complementar no orçamento.
O passe inclui tudo na região?

Também não.
Apesar de oferecer uma cobertura excelente, algumas atrações e trajetos continuam exigindo pagamento à parte.
Entre eles estão, por exemplo:
  • Schilthorn;
  • Allmendhubel;
  • alguns ônibus da região;
  • alguns teleféricos específicos.
Por isso, antes de comprar qualquer passe regional, vale muito mais a pena conferir o mapa oficial de cobertura do que simplesmente confiar no nome do passe.
Para quem eu indicaria?

Mesmo nunca tendo utilizado esse passe, ele já entrou diversas vezes nas minhas simulações de roteiro.

Na minha opinião, ele vale a pena para quem pretende passar quatro, cinco ou mais dias explorando praticamente apenas a região da Jungfrau, fazendo vários passeios de montanha.
Por exemplo:
  • Grindelwald;
  • Lauterbrunnen;
  • Wengen;
  • Mürren;
  • Kleine Scheidegg;
  • Grindelwald First;
  • Harder Kulm;
Nesse tipo de roteiro, você consegue aproveitar muito melhor tudo o que o passe oferece.
Quando eu escolheria outro passe?

Se a minha viagem incluísse também lugares como Kandersteg, Oeschinensee, Adelboden, Lenk ou outras regiões do Oberland Bernês, eu certamente compararia o Jungfrau Travel Pass com o Berner Oberland Pass.

Dependendo do roteiro, o Berner Oberland Pass cobre uma área muito maior e pode acabar compensando mais por uma diferença de preço relativamente pequena.
Da mesma forma, se a viagem incluir outras regiões da Suíça, eu também colocaria o Swiss Travel Pass na comparação.
Como eu comento ao longo deste artigo, não existe um passe melhor para todo mundo.
O melhor passe será sempre aquele que cobre exatamente os lugares que fazem parte do seu roteiro. E, na minha opinião, essa é a conta que realmente faz diferença na hora de economizar na Suíça.

Tabela com os preços do Jungfrau Travel Pass em 2026
 



 

Lucerne Travel Pass (antigo Tell-Pass)
 
O Lucerne Travel Pass, antigo Tell-Pass, é um passe regional voltado para quem pretende explorar Lucerna e a região central da Suíça.

Com ele, é possível utilizar de forma ilimitada os trens, ônibus, barcos e diversos transportes de montanha que fazem parte da área de cobertura. O passe pode incluir atrações muito conhecidas, como Rigi, Pilatus, Titlis, Stanserhorn e Stoos, além de vários trajetos pelo Lago de Lucerna.

Monte Rigi (a rainha das fronteiras).

No caso de Stoos, o funicular que liga Schwyz ao vilarejo faz parte da rede do Lucerne Travel Pass. Como a cobertura dos transportes de montanha pode ter detalhes e mudanças conforme a época do ano, eu sempre conferiria o mapa oficial atualizado antes da compra, principalmente para verificar quais teleféricos acima do vilarejo também estão incluídos no período da viagem.

Eu também nunca utilizei esse passe, mas conheço vários lugares incluídos nele e realmente gosto muito dessa região. Rigi, Titlis, Stanserhorn e Stoos estão entre as montanhas que mais chamam atenção nos arredores de Lucerna, e ainda existe a possibilidade de combinar esses passeios com os barcos pelo Lago de Lucerna.

Monte Titlis (Trübsee) e Stanserhorn 

Na prática, ele pode fazer sentido para quem pretende se hospedar em Lucerna ou em alguma cidade próxima e passar vários dias explorando somente essa parte do país. Você poderia, por exemplo, separar um dia para o Rigi, outro para o Titlis, outro para o Pilatus e ainda aproveitar os passeios de barco e as cidades ao redor do lago.

Mesmo assim, sendo muito sincera, este é um passe que eu dificilmente compraria para uma primeira viagem.

Não porque ele seja ruim. Pelo contrário: a região central é linda e possui atrações suficientes para preencher vários dias. O problema é que eu duvido que a maioria das pessoas viaje até a Suíça querendo permanecer apenas na região de Lucerna.

Na minha opinião, a Suíça é bonita demais para você se prender a apenas uma região, principalmente quando essa é a sua primeira vez no país. O Oberland Bernês, o Valais, o Ticino, os Grisões e a região do Lago de Genebra oferecem paisagens e experiências completamente diferentes.

Por isso, em uma viagem de uma semana ou mais, eu pessoalmente preferiria utilizar um passe que me permitisse circular por diferentes partes do país. 

Agora, existe um cenário no qual eu analisaria esse passe com mais atenção: uma viagem curta, com apenas quatro ou cinco dias, chegando e saindo por Zurique e com o roteiro concentrado em Lucerna e nos arredores.

Nesse caso, talvez não fizesse sentido perder tempo atravessando o país. Seria possível escolher Lucerna como base, conhecer algumas das principais montanhas da região e aproveitar os barcos e vilarejos próximos.

Também é importante calcular os trajetos que ficam fora da área de validade. Se você chegar por Zurique, Basileia ou Genebra, por exemplo, precisa verificar até onde o Lucerne Travel Pass oferece cobertura e quanto custará chegar ao primeiro ponto incluído no passe. Para esse deslocamento pontual, o Saver Day é uma boa alternativa. 

Como acontece com todos os passes regionais, não basta olhar apenas para as atrações cobertas. É preciso considerar o custo de chegada, o custo de saída da região e os lugares que você realmente pretende conhecer.

Confira também os benefícios da hospedagem

Antes de comprar o Lucerne Travel Pass, eu também pesquisaria se o hotel oferece algum cartão para hóspedes.

Algumas hospedagens da região disponibilizam Guest Cards que podem incluir transporte público local e descontos em passeios e atrações. Esse benefício dificilmente substituirá o Lucerne Travel Pass para quem pretende subir várias montanhas, mas pode reduzir os gastos e mudar completamente a comparação.

Por isso, consulte o site da hospedagem ou entre em contato com o hotel para saber quais benefícios são oferecidos, como o cartão deve ser ativado e a partir de qual momento ele pode ser utilizado.

No fim, eu vejo o Lucerne Travel Pass como um passe muito bom, mas para um roteiro bastante específico. Ele vale a comparação se a sua viagem estiver realmente concentrada na região central da Suíça. Para uma viagem mais longa e passando por diferentes partes do país, eu provavelmente escolheria outra alternativa.

Tabela com os preços do Lucerne Travel Pass em 2026



Graubünden Pass

O Graubünden Pass é um passe regional para quem quer explorar os Grisões, que é o maior e mais oriental cantão da Suíça.

É nessa região que ficam lugares muito conhecidos, como St. Moritz, Davos, Chur, Arosa, Pontresina, Flims e Laax. Também é por ali que passam alguns dos trajetos de trem mais famosos do país, como o Bernina Express e parte do Glacier Express.

Davos e St. Moritz

Os Grisões são enormes e têm muita coisa diferente para conhecer. Tem o Vale da Engadina, o Parque Nacional Suíço, cidades históricas, lagos, vilarejos alpinos e várias regiões de montanha.

No inverno, é uma região muito procurada para esquiar. No verão, entram as trilhas, os lagos, as bicicletas e os passeios de montanha. Então, dependendo do roteiro, dá tranquilamente para passar vários dias por ali sem faltar coisa para fazer.

O Graubünden Pass foi criado justamente para esse tipo de viagem: quando você não está apenas passando pelos Grisões, mas realmente pretende explorar a região.

Durante os dias de validade, você pode utilizar os trens e ônibus incluídos sem precisar comprar um bilhete diferente para cada deslocamento.

Entre as principais redes incluídas estão:

  • Rhaetian Railway;
  • Graubünden PostBus;
  • Engadin Bus;
  • trajetos realizados pelo Bernina Express;
  • Bernina Express Bus.
No caso do Bernina Express e do Bernina Express Bus, é importante prestar atenção em um detalhe: o trajeto está incluído, mas a reserva de assento continua sendo obrigatória e deve ser paga separadamente.

Ou seja, você não paga novamente a passagem, mas ainda precisa reservar o lugar.

Norte, sul ou toda a região?


Uma coisa diferente no Graubünden Pass é que você pode escolher a área que quer cobrir.
Existe a opção para a região norte, para a região sul e para todo o cantão dos Grisões.
Isso pode ser muito interessante porque, dependendo do seu roteiro, você não precisa pagar pela cobertura completa.

Se você pretende ficar somente em uma parte dos Grisões, pode ser que uma das versões regionais já resolva. Agora, se quiser misturar Chur, Davos, Arosa, St. Moritz, Pontresina e outros lugares espalhados pelo cantão, provavelmente vai precisar da versão que cobre toda a região.

Por isso, eu não compraria esse passe sem antes abrir o mapa de validade e conferir cidade por cidade.
Os Grisões são uma região muito grande. Às vezes, olhando no mapa da Suíça, parece que tudo está relativamente perto, mas os deslocamentos podem ser longos e envolver áreas diferentes do passe.


Quantos dias estão disponíveis?

O Graubünden Pass pode ser comprado para 2 ou 5 dias de viagem ilimitada.
E uma das coisas que eu achei mais interessantes é que esses dias não precisam necessariamente ser usados todos em sequência. Você escolhe os dias de viagem dentro do período permitido pelo passe.
Isso é ótimo porque nem todo dia de uma viagem exige transporte ilimitado.
Você pode, por exemplo, utilizar o passe em um dia de deslocamento longo até St. Moritz, em outro para fazer o Bernina Express e em outro para conhecer Davos ou Arosa. Nos dias mais tranquilos, em que pretende caminhar pela cidade ou fazer uma trilha, não precisa “gastar” um dia do passe.
Eu gosto bastante desse tipo de flexibilidade, principalmente na Suíça, onde o clima pode mudar completamente os planos.


Eu também nunca utilizei esse passe. Apesar de já ter conhecido St. Moritz, Flims, Laax e outros lugares dos Grisões, nunca fiquei tempo suficiente na região para que ele realmente compensasse para mim.

Nas vezes em que fui para lá, estava fazendo passeios mais pontuais e combinando os Grisões com outras partes da Suíça. Então, eu não tinha um roteiro inteiro concentrado no cantão.
E acho que essa é a principal questão desse passe.
Ele não é um passe que eu compraria apenas porque vou passar um dia em St. Moritz ou porque quero fazer o Bernina Express. Para mim, ele começa a fazer sentido quando você realmente vai usar a região como parte principal da viagem.
Por exemplo, imagine passar vários dias conhecendo Chur, Arosa, Davos, St. Moritz, Pontresina e o Vale da Engadina, além de fazer algum trajeto panorâmico.
Aí, sim, eu olharia esse passe com muita atenção.

Ele vale mais a pena que o Swiss Travel Pass?

Em valores de 2026, a diferença de preço é bem grande.
O Graubünden Pass de 5 dias para toda a região custa CHF 175. Já o Swiss Travel Pass não possui uma versão de 5 dias. A opção mais próxima é a de 6 dias consecutivos, que custa CHF 399.
A diferença é de CHF 224.
Então, olhando apenas para o preço, o Graubünden Pass é muito mais barato.
Mas não dá para comparar os dois sem olhar o roteiro.
O Swiss Travel Pass cobre praticamente toda a Suíça. Já o Graubünden Pass é limitado aos Grisões.
Se você vai passar cinco dias somente entre Chur, Davos, Arosa, St. Moritz, Pontresina e o Vale da Engadina, eu não vejo motivo para pagar mais caro em um passe nacional apenas para ter uma cobertura que não será utilizada.
Nesse caso, o Graubünden Pass pode compensar muito mais.
Agora, se esses cinco dias também incluírem Zurique, Lucerna, Interlaken, Lauterbrunnen ou outras regiões da Suíça, a situação muda. O Swiss Travel Pass pode acabar sendo mais prático e até mais econômico quando você soma todos os bilhetes separados.
É exatamente por isso que não existe uma resposta única.

A diferença de CHF 224 é grande, mas ela só representa uma economia real se o Graubünden Pass cobrir o seu roteiro.

Não esqueça de calcular a chegada e a saída da região

Esse é um detalhe que pode mudar completamente a conta.

O Graubünden Pass cobre os deslocamentos dentro da sua área de validade, mas você ainda precisa verificar quanto vai gastar para chegar até essa região e para sair dela.

Se você desembarcar em Zurique, por exemplo, pode ser necessário comprar separadamente uma parte do trajeto até o primeiro ponto coberto pelo passe.

Depois, se terminar a viagem nos Grisões e seguir para Lucerna, Interlaken ou outra região, também terá que calcular esse deslocamento.

Às vezes, mesmo pagando esses trechos por fora, o Graubünden Pass continua sendo muito mais barato. Em outros casos, depois de somar tudo, o Swiss Travel Pass começa a fazer mais sentido.

Eu faria a conta assim:

valor do passe + transporte para chegar aos Grisões + transporte para sair dos Grisões + reservas obrigatórias + passeios não incluídos.

Só depois disso dá para saber qual opção realmente compensa.

O passe inclui todos os teleféricos e montanhas?

Não.
O Graubünden Pass oferece viagens ilimitadas nas redes de transporte incluídas, mas isso não significa que todos os teleféricos, ferrovias de montanha e atrações dos Grisões serão gratuitos.

Na maioria dos lugares, o passe oferece apenas desconto.

Ele também concede 50% de desconto na Matterhorn Gotthard Railway entre Disentis, Andermatt e Göschenen.

Por isso, eu conferiria não apenas os trens entre as cidades, mas também cada montanha que pretende visitar.

Essa é uma coisa que acontece muito na Suíça: a pessoa vê que determinado destino faz parte do passe e imagina que tudo naquele lugar estará incluído. Só que, muitas vezes, o trem até a cidade está coberto, mas o teleférico para subir a montanha não está — ou entra apenas com desconto.

Confira também o que a hospedagem oferece

Antes de comprar o passe, eu também verificaria os benefícios da hospedagem.
Alguns hotéis e destinos dos Grisões oferecem cartões para hóspedes com transporte público local gratuito ou descontos em atrações e teleféricos.
Esses cartões provavelmente não substituem o Graubünden Pass em uma viagem com muitos deslocamentos, mas podem mudar bastante a conta.
Talvez você descubra que já terá ônibus locais incluídos ou desconto justamente na montanha que queria conhecer.
Então, vale sempre perguntar ao hotel ou conferir no site da hospedagem antes de fechar qualquer passe.

Minha opinião

Eu vejo o Graubünden Pass como um passe muito bom, mas para um roteiro bem específico.

Ele não seria minha primeira escolha para uma viagem clássica pela Suíça, passando por Zurique, Lucerna, Interlaken, Zermatt e Montreux.
Agora, para uma viagem realmente focada nos Grisões, ele pode ser excelente.
A diferença de preço em relação ao Swiss Travel Pass é grande, os dias de uso são flexíveis e a região possui transportes suficientes para montar um roteiro inteiro usando o passe. Mas, sinceramente, acho que ele combina mais com uma segunda ou terceira viagem à Suíça.
Na primeira vez, normalmente queremos conhecer aqueles lugares que aparecem em todos os roteiros. Depois, quando começamos a voltar e explorar o país com mais calma, aparecem regiões como os Grisões.

E foi exatamente isso que aconteceu comigo.
Eu já conheci alguns lugares do cantão, mas ainda não fiz uma viagem realmente dedicada à região. Por isso, nunca tive motivo para comprar o Graubünden Pass.

Agora, se eu decidisse passar vários dias entre St. Moritz, Pontresina, Davos, Arosa, Chur e o Vale da Engadina, certamente colocaria esse passe nas minhas comparações.

No fim, é aquela mesma regra que vale para todos os passes da Suíça: não escolha o que parece oferecer mais coisas. Escolha aquele que cobre os lugares que você realmente vai conhecer.

Tabela com os preços do Graubünden Pass em 2026 
  



E eu, qual passe uso?

Essa talvez seja a pergunta que eu mais recebo.
E a resposta costuma surpreender muita gente: nenhum dos passes turísticos que eu citei acima.

Como meus pais moram na Suíça e eu costumo passar períodos mais longos no país, hoje eu utilizo um passe chamado GA Mensal (Generalabonnement).

O GA é considerado o passe de transporte mais completo da Suíça. Durante um mês inteiro, ele permite utilizar praticamente toda a rede de transporte público do país: trens, ônibus, bondes, barcos e grande parte do transporte urbano já estão incluídos.

Embora muita gente não saiba, o GA também pode ser contratado por turistas. No entanto, na minha opinião, ele só começa a fazer sentido para quem vai passar um período mais longo na Suíça, algo em torno de 25 dias ou mais. Para uma viagem de uma ou duas semanas, existem opções mais vantajosas.

Outro detalhe é que ele é um pouco mais burocrático para contratar do que um Swiss Travel Pass.

Enquanto os passes turísticos podem ser comprados pela internet antes mesmo da viagem, o GA normalmente exige que você vá até um balcão de atendimento da SBB (ou de outra empresa de transporte participante) para fazer a emissão. 

Geralmente é necessário apresentar um documento de identidade ou passaporte, foto, informar um endereço de correspondência (que pode ser temporário, como o local onde você está hospedado) e solicitar a criação do SwissPass, o cartão utilizado para armazenar o passe. Depois disso, o GA fica vinculado ao seu SwissPass e basta apresentá-lo durante as viagens.

Na minha última viagem, por exemplo, fiquei três meses durante o inverno.

Para esse roteiro, fiz uma combinação que, para mim, funcionou muito bem: utilizei o GA Mensal junto com o Magic Pass.
O Magic Pass inclui mais de 100 montanhas e estações de esqui espalhadas pela Suíça. Como meu objetivo naquela viagem era explorar justamente as montanhas, achei essa combinação excelente.

Eu renovei o GA Mensal duas vezes, ou seja, tive 60 dias de transporte público ilimitado, utilizando trem praticamente todos os dias, enquanto o Magic Pass cobria boa parte das montanhas que eu queria conhecer.

Na prática, eu não precisava me preocupar com o preço das passagens nem das montanhas incluídas no Magic Pass. Eu simplesmente escolhia o destino do dia de acordo com a previsão do tempo e embarcava.

Foi justamente nessa viagem que conheci vários lugares que provavelmente eu nunca teria visitado se estivesse comprando cada passeio separadamente.

Inclusive, isso mudou completamente a forma como eu penso sobre os passes.

Muita gente monta primeiro o roteiro para depois escolher qual passe comprar. Eu fiz exatamente o contrário.

Primeiro escolhi os passes que faziam sentido para o tipo de viagem que eu queria fazer e, depois, fui montando os roteiros diários em cima deles.

Como eu já tinha o transporte praticamente resolvido e as montanhas do Magic Pass incluídas, eu simplesmente escolhia uma cidade que tivesse atrações cobertas pelo passe e aproveitava o dia sem ficar fazendo contas o tempo todo.

Na minha opinião, essa estratégia funciona muito bem para viagens longas. Você compra os passes uma única vez e passa a montar os roteiros em função deles, em vez de calcular o custo de cada deslocamento diariamente.

Para quem vai fazer uma viagem tradicional de férias, de 7, 10 ou 15 dias, eu provavelmente continuaria recomendando analisar os passes turísticos que apresentei neste artigo.

Mas achei importante mostrar qual é o passe que eu utilizo hoje, porque muita gente vê meus vídeos e pergunta como consigo fazer tantos deslocamentos pela Suíça. A resposta é simples: atualmente eu viajo como alguém que passa temporadas no país, e não como uma turista fazendo uma viagem curta.


E os trens panorâmicos? Eles estão incluídos nos passes?
Essa é outra dúvida muito comum.

Muita gente acha que, comprando um Swiss Travel Pass, poderá embarcar gratuitamente em qualquer trem panorâmico da Suíça. Na prática, não é bem assim.

Na maioria dos casos existem duas coisas diferentes:
bilhete do trem, que pode estar totalmente incluído ou com desconto dependendo do passe que você possui;
reserva de assento, que em alguns trens é obrigatória e paga separadamente.

Ou seja, mesmo que o seu passe cubra 100% da viagem, você ainda poderá precisar pagar pela reserva.

Veja como funciona nos principais trens panorâmicos da Suíça:


Na minha opinião, essa é uma das maiores confusões para quem viaja pela primeira vez.

O Swiss Travel Pass normalmente cobre o valor da passagem, mas isso não significa que o assento esteja reservado.

No Glacier Express, por exemplo, mesmo quem possui Swiss Travel Pass, GA ou Eurail precisa pagar a reserva obrigatória do lugar, que atualmente custa CHF 54 por pessoa. O mesmo acontece no Bernina Express e no Gotthard Panorama Express, que também exigem reserva.

Já no GoldenPass Express e no Luzern–Interlaken Express, a reserva é opcional. Você pode simplesmente embarcar utilizando o seu passe, mas, em épocas de maior movimento, reservar um assento pode trazer mais tranquilidade.

E aqui vai uma dica que muita gente não conhece:
Em alguns casos, você nem precisa utilizar o trem panorâmico oficial.

No Glacier Express, por exemplo, existem trens regionais que percorrem praticamente o mesmo trajeto, fazem as mesmas paisagens e não exigem reserva obrigatória. O mesmo acontece no Bernina Express.

É claro que você perde alguns diferenciais, como os vagões panorâmicos e o serviço turístico de bordo. Mas, se o seu objetivo principal é apreciar as paisagens e economizar, essa pode ser uma excelente alternativa.

Por isso, antes de reservar qualquer trem panorâmico, eu sempre compararia as duas opções: o trem turístico e os trens regionais que fazem o mesmo percurso. Em muitos roteiros, a experiência visual é muito parecida e a economia pode ser significativa.


Posso combinar passes?

Sim. Em alguns roteiros, combinar dois passes em períodos diferentes pode sair mais barato do que utilizar apenas um. Isso acontece principalmente quando você passa alguns dias explorando uma região específica e depois continua viajando pelo restante da Suíça.

O importante é evitar comprar dois passes válidos para os mesmos dias sem fazer as contas, já que muitos benefícios podem se sobrepor.

Como esse assunto merece uma comparação mais detalhada, irei preparar um artigo mostrando quando realmente vale a pena combinar passes e quais são as combinações que mais fazem sentido.

Conclusão
Se você chegou até aqui, provavelmente já percebeu que não existe um "melhor passe para a Suíça".
Existe o melhor passe para o seu roteiro.

A dica que eu mais gostaria de deixar é: não escolha um passe porque alguém na internet disse que ele é o melhor. Escolha porque ele faz sentido para a viagem que você quer fazer.

Em alguns casos, o Swiss Travel Pass será a opção mais prática. Em outros, um passe regional pode representar uma economia maior. E, em viagens mais longas, até mesmo uma combinação de passes pode ser a estratégia mais inteligente.

O importante é fazer as contas antes de comprar.

Se eu puder resumir este artigo em uma única frase, seria esta:  Primeiro decida o que você quer conhecer. Depois escolha o passe. 
Primeiro decida o que você quer conhecer. Depois escolha o passe. 
Espero que este guia tenha ajudado você a entender as diferenças entre os principais passes da Suíça e, principalmente, a tomar uma decisão com mais segurança.

E se ainda ficou na dúvida sobre qual passe faz mais sentido para o seu roteiro, deixe um comentário contando quantos dias você vai ficar na Suíça, quais cidades pretende visitar e quais montanhas estão na sua lista. Vou tentar ajudar da melhor forma possível.

 

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